sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A enganação da Unicamp

Se você vai prestar vestibular na Unicamp, cursou antes uma escola pública e se declara preto, pardo ou indígena, já entra com 80 pontos à frente de quem estudou em escola particular e é branco. E se os que cursaram a escola pública e são brancos passarem para a segunda fase, ganham mais 90 na prova de redação e mais 90 nas provas dissertativas.  Mas se também forem pretos, pardos ou indígenas, ganham, além dos 90, mais 30, entrando na briga por uma vaga na Unicamp com 120 pontos a mais nas provas que os concorrentes brancos oriundos de escolas particulares.

Não era assim até 2015, os pontos só apareciam na segunda fase, mas, no ano passado, estudantes das escolas particulares prevaleceram no vestibular, então a Unicamp decidiu diminuir as chances da “elite branca que veio do ensino privado”, mesmo sabendo que o ensino público é, hoje, muito pior que o privado. 

Com isso, em 2016, a Unicamp parece estar muito orgulhosa ao anunciar não que os melhores cérebros vão fazer parte do seu corpo discente, mas que mais de 50% dos aprovados no vestibular vieram de escolas públicas. Óbvio que, se não atingissem essa meta, no ano que vem os bônus que matam o mérito e a capacidade de muitos estudantes aumentariam ainda mais.

Muitos pais que se sacrificaram para pagar uma escola particular - e melhor - para que o filho pudesse ser mais competitivo no vestibular, percebem que o sacrifício foi em vão. Mas sobre isso a Unicamp se cala, talvez temendo não ser politicamente correta ou qualquer idiotice desse tipo.

Trata-se, evidentemente, de um sistema de cotas, só que revestido de um verniz hipócrita, causando, ainda, a falsa impressão de que a escola pública está melhorando, quando, na realidade, está cada vez pior. Mesmo porque quando ela tenta melhorar, os bandos que são usados como massa de manobra de partidecos de esquerda se mobilizam, fazem greve, invadem e ocupam escolas, derrubam secretário e impedem qualquer melhoria no ensino.

O resultado é que o péssimo ensino público básico faz com que o superior invente cotas ou bônus para a ele se adequar e, com isso, o Brasil siga segurando a lanterna ou bem próximo dela nos rankings de universidades e de educação realizados no mundo.

Esse é o Brasil que uma ideologia ultrapassada e a covardia de muitos governantes estão construindo: um país com o futuro comprometido pela ignorância do presente.

41 comentários:

  1. 1- 120 pontos a mais não é tanta coisa assim ao ponto de dizer que a pessoa que entrou não tem a mesma capacidade da outra que entraria
    2- quem pagou escola particular, agora pague a faculdade também.

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    1. Mas é de uma idiotice sem precedentes bem típico de quem apoia esse engodo

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    2. BURRO!
      Então quem paga TV a cabo tem que pagar pra assistir TV aberta?
      E quem tem carro tem que pagar mais caro pra andar de metrô?
      Essa é a lógica?
      IMBECIL!

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    3. Carolina Hüllesheim4 de março de 2016 22:13

      Babaca. No vestibular 2015 SEM BÕNUS teve gente que passou com 665 pontos. Se fosse esse ano com 545 passava em Medicina. A pontuação do vestibular da Unicamp é diferente, 120 faz muita diferença e é um exagero. É realmente convocar alunos de "um degrau abaixo".

      Ah, e a maioria dos pais que pagam 300, 800, 1000, 1500 reais de colégio para o filho não têm condições de pagar 6000 ou 7000 em uma faculdade de Medicina.

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  2. Contra cultura. Boçalidade. Irrespinsabilidade. E, como os docentes da Unicamp cumprem seu dever, rigorosamente (kkkkkkkkk), estes alunos receberão uma formação ímpar. É o começo do fim.

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  3. "Muitos pais que se sacrificaram para pagar uma escola particular - e melhor - para que o filho pudesse ser mais competitivo no vestibular, percebem que o sacrifício foi em vão."

    E aqueles que não tem condições de pagar uma escola privada para seus filhos?

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    1. O problema é que a escola pública ficou ruim. Se fosse boa coo foi até o fim dos anos 1970, nada disso seria preciso. Cotas e bonificações são uma forma de disfarçar o péssimo ensino das escolas públicas. Temos que lutar pela melhoria das escolas públicas e não por privilégios que acabam com o mérito.

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    2. Lembremos que até os anos 1970 a escola pública atendia apenas um pequena parcela da população, majoritariamente a elite do país. Também não esqueçamos que a mais de duas décadas o governo paulista - responsável pelo Ensino Médio público estadual - tem promovido constantes e consecutivas manobras de sucateamento do ensino público. Cotas e bonificações, nesse contexto, se tornam medidas paliativas de recuperar um pouco que seja da dignidade que o governo estadual tirou da escola pública de São Paulo. Devemos sempre ter em mente que essas políticas de cotas e bonificações precisam ser paliativas: conforme lutarmos como sociedade pela melhoria da escola pública os índices de melhoria desta apontarão as possibilidades de diminuição nas cotas e bonificações.

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    3. Sim, o governo estadual de SP está há mais de duas décadas no poder, mas o ensino começou a se deteriorar ainda na ditadura. Depois, a Constituição de 88 estragou mais ainda a possibilidade de melhoria, já que ela prevê muito mais obrigações para os governos sem criar fontes de receitas suficientes (e as criadas depois foram para suprir outras demandas que a Constituição criou). Medidas paliativas mascaram a situação. Se o ensino público não melhorar, tudo tende a piorar.

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    4. Quem não tem dinheiro para pagar uma boa escola que lutem junto aos políticos para que a escola pública melhore, ao invés de brigar por cotas, bolsas, etc.

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    5. O "Anônimo" não tem nome, mas partido ele tem... O Brasil não está como está só por causa do que os governantes fazem com a gente; pior ainda é o que a gente faz com o país, ao apoiar o atraso e a mentira. Que se quebrem os termômetros e a febre estará eliminada. Tem quem acredite...

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  4. A unicamp toda é uma farsa, um grande ralo de dinheiro público, uma instituição anti-ensino e anti-ciência. Vive só de política barata e de marketing mentiroso.

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  5. Mas é de uma idiotice sem precedentes bem típico de quem apoia esse engodo

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  6. A minha filha prestou engenharia elétrica e não passou na Unicamp. Na unifei pelo enem que são 85 vagas apenas 42 são para não cotistas. Ela ficou em 54 e não entrou está na lista de espera. Foram convocados candidatos cotistas com pelo menos 100 pontos a menos do que ela de nota. Na Unesp mesma coisa, também na lista de espera pois de 50 vagas, 25 são para cotas. Muito triste e desanimador.

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  7. Leopoldo Pfeilsticker13 de fevereiro de 2016 14:58

    Eu estou preparando minha filha para estudar fora do país. Acho que as escolas públicas decairão rapidamente de qualidade nesta década e as privadas que valerão a pena serão carésimas. Acho, por exemplo, que já já a melhor escola de medicina do país será a do Albert Einstein, inacessível para a maioria absoluta financeiramente e com outros tipos de cota - sobrenome. Para quem tiver nacionalidade europeia será uma saída em termos de custo e, principalmente, de qualidade.

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  8. Deixe de ser bobo, Edmilson. Os pais espertos da classe A estão colocando os filhos no terceiro ano do ensino público, só para receber os pontinhos a mais. Mas pagam o cursinho mais caro que existir para seus filhinhos. Vai investigar se esses que passaram fizeram mesmo a vida escolar toda no ensino público. Me engana que eu gosto.

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    1. Renato, a regra diz que os pontinhos a mais são para quem cursou todo o ensino médio em escola pública. Um ano só não vale. Mas não duvido que haja falcatruas, afinal estamos no Brasil onde todos os péssimos exemplos vêm de cima.

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    2. Para poder participar do PAAIS o aluno tem que ter estudado o Ensino Médio integralmente em escola pública. Pode existir, sim, algum caso como o mencionado por você. Mas, precisamos admitir, é bastante ingenuidade acreditar que esses casos representem um percentual significativo na totalidade de alunos de escolas públicas que foram aprovados nesse ano... Precisaríamos de um estudo específico e detalhado para poder sustentar a sua afirmação (aí está um bom tema para uma possível pesquisa etnográfica).

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    3. Interessante pelos comentários, eh que a culpa recaiu sobre a classe média que consegue pagar um cursinho para seus filhos.Eles sao os vilões, e nao os governos que nao conseguem ou nao querem que tenhamos um ensino publico ďe qualidade. Se o ensino fosse decente na escola pública, não precisaria desta história de cotas. Nosso imposto eh roubado pelos políticos, e os serviços públicos estão todos degradados

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    4. A classe média é totalmente conivente com essas manobras do governo estadual, caro Lincoln. Como membro dessa classe posso dizer que o mais difícil é olharmos para além do nosso umbigo; ao menos estou tentando. Aliás é majoritariamente a classe média paulista quem mantém esse governo estadual no poder a mais de 20 anos... ou estou enganado? Portanto, sim, temos culpa. Falar que o culpado é o governo então ele que resolva é o mesmo que empurrar a sujeira para debaixo do tapete. O governo é culpado SIM e nós somos culpados por elegê-los, não cobrá-los e ainda mantê-los no poder. Se o governo é culpado (e ele é), o que estamos fazendo a respeito? Conte-nos sobre a sua experiência. Lembrando que a classe média é suficientemente esclarecida para ter condições de lutar por uma sociedade melhor para TODOS, enquanto muitas vezes a população pobre sequer conhece seus direitos básicos, quanto mais ter esclarecimento que permita lutar por objetivos muito mais amplos e complexos, ou quando possuem esse esclarecimento não possuem os recursos e acessos necessários, coisa que a classe média possui. Agora, caso não concorde, peço a gentileza de me explicar os motivos que te levam a crer que a classe média não possua nem um pinguinho de culpa...

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  9. Pode-se tentar estabelecer algum raciocínio lógico no intuito de elucidar o funcionamento desses pontos adicionais.

    Imaginemos que um aluno de escola particular esteja em uma situação "X" no que concerne aos conhecimentos, habilidades e capacidade de responder ao padrão das provas, sendo que essa situação "X" permitiria que esse aluno alcançasse uma nota "+500X".
    Por outro lado, imaginemos que um aluno de escola pública parta de uma situação "-100X" no que se refere às mesmas competências elencadas acima, sendo que baseado nessas competências teria condições de alcançar o resultado "+300X".
    Consideremos também que a nota que representa as condições suficientes para o aluno ingressar no curso e aproveitá-lo plenamente seja "+350X".
    Pois bem, após as provas constata-se que o hipotético aluno de escola particular atingiu uma nota "+450X" enquanto o também hipotético aluno de escola pública conseguiu atingir a nota "+370X", sendo que "ganhará" uma soma de "+120X" devido ao reconhecimento das condições desfavoráveis de onde partiu, o que resulta no total de "+490X".

    Devido às notas finais, esse aluno de escola pública, mesmo tendo tirado uma nota menor (+370X) do que o aluno de escola particular (+450X), será aprovado em melhor posição. Realmente é bastante absurdo...

    Contudo, a bem da verdade, só é absurdo se formos apressados no julgamento.

    Esquecendo-nos dos pontos adicionais computados para o aluno de escola pública, faz-se necessário reconhecer que, em termos proporcionais, esse aluno apresentou um desempenho superior ao aluno de escola particular.

    Aluno de escola particular (hipotético)
    origem resultados
    X +500X (resultado esperado)
    +450X (resultado alcançado)
    índice de aproveitamento = 0,9

    Aluno de escola pública (hipotético)
    origem
    -100x +300X (resultado esperado)
    +370X (resultado alcançado)
    índice de aproveitamento = 1,23

    A conclusão é simples: apesar de aparentemente ter tirado uma nota menor, o aluno de escola pública apresentou uma performance superior ao aluno de escola particular; essa performance também indica que esse aluno possui perfil intelectual suficiente para ingressar no curso pleiteado. Pensando em termos de uma meritocracia justa, seria totalmente injusto que esse aluno de escola pública que apresenta performance superior ao seu concorrente deixasse de entrar no curso.

    Ademais, é preciso levar em consideração que, mesmo tendo pontos adicionais, o aluno não pode zerar em nenhuma disciplina (mesmo em alguma eventual disciplina que o aluno sequer tenha tido a oportunidade de tomar contato na escola pública devido a falta de professores, etc., etc.). Ou seja, não se trata de ajudar aluno "vagabundo" que não quer estudar; na verdade é bem o contrário disso...

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    1. Aqui em Campinas tem escolas técnicas com ensino de qualidade superior a maioria das escolas particulares. Meu filho ( da escola particular) teve a mesma pontuação de sua amiga de cursinho (da escola técnica). Ele passou em 38o lugar e ela ficou em 2o lugar. Como corrigir essa distorção?????

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  10. Quando você parte de -100 para o candidato da escola pública, você está julgando-o menos capaz ou afirmando que a escola pública é péssima mesmo. No primeiro caso, se ele é menos capaz, o outro aluno merece mais a vaga que ele. No segundo caso, o aluno da escola privada não pode ser culpado pelo ensino inferior da escola pública. Repito: a raiz desse problema está no péssimo ensino público (que já foi muito melhor que o privado, diga-se) aliado a uma ideologia que gosta de promover segregacionismos vários.

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    1. Caro Edmilson, obrigado pela resposta! Contudo, devo salientar que houve um misreading de meu argumento. Para esclarecer:
      1) Sim, a escola pública ESTÁ péssima mesmo, porém, isso não significa que todos os alunos egressos dessa escola sejam péssimos, saca a diferença? Afirmar isso seria abusar de um silogismo impraticável nesse contexto. Por exemplo: imaginemos que sou empregado de uma empresa que acaba de ser condenada por corrupção; logo sou também necessariamente corrupto? Todos os funcionários dessa empresa seriam corruptos? Acho que não dá pra afirmarmos isso. Além disso, veja que o -100 não pode ser usado para afirmar capacidade ou falta dela: você está tomando um dos elementos da análise global e isolando-o para uma conclusão apressada. O que é determinante para batermos o martelo sobre a capacidade do aluno está no conjunto "de onde partiu" x "onde chegou" que resulta em um percentual de desenvolvimento, em um índice de performance, o qual é o ponto central para a afirmação de capacidade. Vejamos: você disputa uma maratona e faz a largada 10 minutos depois do primeiro corredor a largar, porém, na chegada você passa em segundo lugar com uma diferença de 30 segundos do primeiro colocado. Sua capacidade foi maior ou menor? O grande problema aqui é que a nossa sociedade faz como você: isola um único critério e o elege como suficiente para o julgamento, ignorando qualquer possibilidade de análise global. O aluno que partiu com -100 simplesmente "largou atrasado" na corrida, isso não tem nada a ver com a capacidade do mesmo. Se sustentarmos que quem larga atrasado é incapaz e indigno o que faremos é recair nas visões anti-semita e xenófoba que temos visto atualmente: onde já se viu latinos quererem viver nos Estados Unidos como se fossem americanos?; onde já se viu muçulmanos questionando a pretensa e enganosa laicidade no sistema de ensino francês?; onde já se viu judeus quererem viver em terra de alemães?; onde já se viu bolivianos e chineses ousarem se estabelecer em Campinas?. Temos que tomar muito cuidado com as implicações lógicas - e, obviamente, humanas - de nossos argumentos.
      [continua...]

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    2. [continuação...]
      2) Sim, o aluno de escola particular não pode ser culpado. Mas é justo que ele seja beneficiado? Por quê? Será que ele deveria ser beneficiado pelo fato dos pais terem investido dinheiro? É isso? Então, o que importa no final não é a educação ou a capacidade intelectual dos alunos, mas apenas a precificação. Ou seja, nessa visão a educação já está privatizada, já deixou de ser pública. No final das contas pouco importa se o aluno de escola pública, APESAR da situação PÉSSIMA dessa escola, sem ter tido as mesmas oportunidades do meu filho, conseguiu nota suficiente para ingressar no curso (tendo, secundariamente, sua posição no ranking melhorada por pontos extras que tentam, ainda que de forma tímida, olhar para o global), o que importa é que EU PAGUEI, portanto, já comprei a minha vaga a muito tempo, tenho pago as prestações certinho e alguém que não pagou entrou na vaga que eu comprei: o estudo é o de menos, o montante que eu paguei é o que me faz ficar revoltado. Agora, e se esse pai - esses pais todos -, ao invés disso, se revoltassem contra a situação atual da escola pública, se revoltassem contra o fato de terem de pagar um colégio particular e juntassem força na luta por uma escola pública, gratuita, universal e de qualidade? Pensa nos efeitos que teríamos. Mas, concordo, é mais fácil reivindicar pelo que paguei e reforçar a manutenção do status quo. Temos que nos lembrar que se a escola pública ESTÁ péssima um dos responsáveis - não o principal, obviamente - é a população de São Paulo (na qual me incluo): o Ensino Médio é de responsabilidade estadual e temos visto o governo paulista sucateando a escola pública e favorecendo a ampliação do sistema privado de uma forma descarada, mas ainda assim temos mantido esse governo no poder por mais de duas décadas. Como assim minha gente? Estou dizendo que tenha existido opções melhores de voto ao longo desse período? Não, realmente não sei dizer se houve alguma opção "menos pior". O que sei é que não vejo a população cobrando esse governo, não vejo nenhuma mobilização. O que vejo é apenas a velha desculpa: a escola pública está péssima, vou levar o meu filho para a escola particular, assim resolvo o MEU problema. Lamento muito, mas o problema é nosso. Façamos o seguinte: levemos nossos filhos para a escola particular, mas concomitantemente lutemos contra a precarização da escola pública e contra a privatização do ensino promovida pelo governo estadual, assim quem sabe não possamos em um futuro próximo voltar os nossos filhos para uma escola pública caracterizada pela qualidade.
      3) Um outro ponto: a medida adotada pela Unicamp não é uma forma de legitimizar o estado péssimo da escola pública, ao contrário é um esforço na intenção de oferecer uma medida paliativa - veja bem, paliativa - enquanto a sociedade como um todo luta por uma escola pública de qualidade (a qual no fim das contas beneficiará muito - economicamente - todos os pais de alunos do sistema privado). A Unicamp mostra ter entrado na luta pela escola pública de qualidade, não pela manutenção de seu estado péssimo. E nós, enquanto sociedade, qual será a nossa contribuição nessa luta? Não acho que seja uma melhor opção continuarmos segregando os alunos de escola pública - veja que os que entraram na Unicamp são apenas os poucos alunos de destaque da escola pública, os quais a propósito teriam tudo para ser destaque na escola particular também - até que tenhamos conseguido vencer a luta por um escola pública de qualidade para que, somente então, eles passem a ter o direito de tentar uma vaga na Unicamp. Percebe que essa opção é muito mais segregacionista? É preciso ir lutando e tomando medidas paliativas em paralelo, afinal, a bem da verdade, a batalha contra a escola pública já foi vencida pelo governo estadual; é mais difícil ganhar um batalha que já foi perdida, mas podemos sim conseguir...

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    3. Meu caro, seus comentários são muito longos, talvez poucos leiam. Discordo de muita coisa e concordo que devemos lutar por um ensino de melhor qualidade, público ou privado (há muita escola particular por aí que também é péssima). Não acredito em medidas paliativas que mascaram a realidade. Há, do meu ponto de vista, injustiça em qualquer sistema de cotas ou bonificações. Sou oriundo de escola pública, de família pobre (meu pai era ferroviário) e entrei duas vezes na PUCC e uma vez na Unicamp sem fazer cursinho. Se houvesse cotas naquele tempo, talvez eu não conseguisse, pois sou branco, mistura de árabes e portugueses.

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    4. Caro Anonimo. Li seus longos comentários e peço permissão para assinar junto. Escrevi mais ou menos isso outro lugar hoje.

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    5. Caro Edmilson, você há de concordar comigo que o nosso maior problema hoje no país é o analfabetismo. Concorda? É sério... e não estou falando daquele analfabetismo que impede o sujeito de decodificar as palavras, mas daquele outro - muito mais danoso - que nos convence de que somos esclarecidos e inteligentes o suficiente para construir nossas opiniões e visão de mundo baseado em manchetes, achismos, opiniões totalmente pessoais e interessadas. Veja que as pessoas hoje em dia leem uma manchete, um post curto no Facebook ou uma frase no Twitter e saem por aí alardeando verdades como se fossem oráculos, cheios de si e de certeza. A preguiça de ler, de pensar, de analisar, de questionar as próprias opiniões e crenças, de dialogar, de se colocar no lugar do outro, de pensar na sociedade assim como penso em mim próprio é o que nos falta, e é o que gera esse analfabetismo social tão cruel. Como você mesmo pontuou, poucos vão ler nossa troca de ideias; esses muitos que não terão a paciência para ler sairão por aí com um conhecimento superficial e acomodado, infelizmente.
      Você diz que discorda de muita coisa, mas não nomeia os bois e não contra-argumenta. Pessoalmente, eu gostaria muito de saber quais os pontos de discordância e o que você pensa a respeito. O diálogo fica meio ruim quando só uma das partes coloca os argumentos na mesa...
      Em relação às medidas paliativas, veja que elas são sim necessárias. Porém, em paralelo deve existir a consciência de que são provisórias e concomitantes com a busca ferrenha pela solução do problema que nos levou a adotar medidas paliativas. Dessa forma não há mascaramento da realidade. Tenho minhas dúvidas de que se o vento arrancar uma telha do telhado de sua casa e começar a gotejar em sua sala você sairá para comprar uma telha substituta sem antes colocar um balde para aparar as goteiras...
      Por fim, já que você compartilhou um pouco da sua biografia, sinto-me no dever de fazer o mesmo (embora eu não goste muito de usar conteúdos biográficos nesse tipo de troca de ideias). Pois bem, assim como você eu sou oriundo de escola pública, tendo estudado inclusive em escolas consideradas muito violentas e sem solução. Também sou de família pobre, meu pai é pedreiro e minha mãe faxineira. Assim como você eu também fui aprovado na PUCC e na Unicamp. Optei por fazer Unicamp, pois, não teria dinheiro para pagar PUCC. Ah... passei em terceiro lugar na Unicamp, sem cotas, sem bonificações e sem cursinho. Aliás, lembrei agora, a menina que terminou o curso em primeiro lugar na turma também era de escola pública (e da escola pública normal, não de Cotuca e etc.). Se houvesse cotas naquele momento poderia acontecer de eu não ter conseguido entrar na Unicamp? Não sei, talvez. Veja, eu tenho tudo para vociferar contra cotas e bonificações, afinal eu saí de uma situação totalmente desprivilegiada e, sem qualquer ajuda, por esforço próprio alcancei o sucesso. Sou a prova de que é possível quebrar o ciclo de pobreza, o qual eu estava destinado a manter. Mas não posso julgar o mundo por minha experiência particular, é necessário abstrair, é necessário ter uma experiência de alteridade. Eu sei muito bem que tanto eu quanto você somos exceções e não a regra.
      Temos que lutar por uma escola pública melhor, mas não adianta esperarmos até termos uma escola pública do jeitinho que queremos para então permitir bondosamente que os alunos dessa escola ingressem na Unicamp. Há muita coisa boa em meio ao caos; agora, tem muita gente que não se importa de jogar no lixo um utensílio em perfeito estado e tem muita gente que não fica nem um pouco incomodada com isso...

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  11. Uma coisa é a promoção de alunos egressos da rede pública de ensino, a outra é dizer que "já que houveram tantos egressos de escola pública, o ensino publico deve ser muito bom". Em nenhum momento eu vi a unicamp dizer o segundo ponto (o qual eu tb não concordo, por sinal), portanto, não entendo a revolta.

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    1. Só o fato de a Unicamp anunciar com tanta ênfase que houve mais alunos da rede pública aprovados no vestibular já é um modo de dizer que a escola pública é melhor.

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    2. O anúncio com ênfase é importante na medida em que podemos imaginar que a exposição desse tipo de notícia a um público amplo pode ter o efeito de mostrar para uma grande quantidade de alunos de escola pública que, mesmo diante das péssimas condições de ensino da rede pública (provocadas, principalmente, pelo governo estadual), com uma disciplina pessoal de estudos que atenda aos requisitos de cada curso é, sim, possível entrar na Unicamp. Na maioria dos casos os estudantes de escola pública sequer cogitam a possibilidade de prestar o vestibular da Unicamp (os que entraram agora são, ainda, uma pequena minoria). Talvez um aluno socialmente "destinado" a se tornar um bandido possa ser despertado para a possibilidade de ingressar em uma universidade de qualidade e se tornar no futuro um profissional de destaque. Além do mais, essa notícia aponta para a sociedade em geral: "gente, apesar da situação da escola pública, há sim excelentes alunos por lá, o que não significa que o sistema público de ensino esteja em boas condições, mas que se investirmos e lutarmos pela melhoria desse sistema que foi historicamente enfraquecido, iremos colher excelentes frutos enquanto sociedade".

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    3. "Pequena minoria"? A Unicamp anunciou com grande alarde e com ares de vitória que mais de 50% das vagas foram preenchidas por alunos de escolas públicas. A "minoria" ficou para as escolas privadas. Claro que devemos todos lutar por uma escola pública melhor (e sei que não é com partidecos de esquerda comandando massas de manobra estudantis que iremos conseguir), mas repito o que já disse aqui: continuo achando qualquer sistema de cotas ou bonificações injusto, pois despreza o mérito, enfatiza o privilégio e promove preconceitos.

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    4. Oi Edmilson! Você fez confusão aí... Pequena minoria em relação à quantidade total de alunos do ensino público paulista. Veja que na minha frase os referentes que estavam em comparação eram "os estudantes de escola pública" e "os que entraram são uma pequena minoria", ou seja, minoria em relação à quantidade total de alunos do sistema público. Mesmo desconsiderando a confusão feita com os termos de minha comparação, fato é que mesmo esses "50%" que entraram na Unicamp são uma minoria se pensarmos na proporcionalidade entre quantidade total de alunos do sistema público e esses 50% da Unicamp. A luta pela melhoria da escola pública deve ultrapassar "as massas de manobra dos partidecos de esquerda" e a inércia - e responsabilidade direta - dos partidecos de direita que se beneficiam e promovem a destruição do sistema público de ensino (lembro que em São Paulo o principal culpado pelo estado péssima das escolas públicas é o partideco PSDB). Quanto ao mérito, acho que só passa a figurar legitimamente na questão quando falamos de oportunidades e condições competitivas iguais, exemplo: dois alunos de uma mesma escola particular, privilegiados com as mesmas condições sócio-econômicas, disputam o mesmo curso na universidade, um é aprovado e o outro não; mérito do primeiro. Se te derem um fusca para disputar um racha com um porsche não há mérito que te faça vencer, ainda que você seja um piloto muito melhor...

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    5. Posso ter feito confusão com sua afirmação, mas a minoria no vestibular da Unicamp ficou com a escola privada e o alarde para esse fato feito pela Unicamp mostra que ela quer promover seu sistema de bonificação e cotas, que vou continuar achando injusto e que só existe porque a escola pública é ruim. E não é ruim só no Estado de São Paulo. Isso acontece no Brasil inteiro, sob governo de qualquer sigla.

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  12. E o caso dos alunos que estudaram nas escolas técnicas como Cotuca, Etecap e Cotil que tem qualidade superior a maioria das escolas particulares ??? E o aluno da escola pública que fez cursinho??? Além dos casos que já conheço de pais que colocaram o filho na escola pública e pagaram 2 anos de cursinho paralelo ao ensino médio.

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    1. Você tem razão: é uma falácia pensar que esse índice aponta para uma melhoria. Concordo contigo: se uns 80% dos alunos que entram na Unicamp fossem provenientes de escolas públicas normais e sem terem passado por cursinhos, aí sim poderíamos ficar felizes. Devemos nos indignar de que tenham sido computados nesses 50% os alunos das escolas que você mencionou. Tomara que no próximo ano esse mínimo de 50% (que ainda é bem pouco, não é mesmo) seja preenchido por alunos da escola pública normal, vamos torcer!!

      Ah... o DCE da Unicamp também concorda contigo amigo. Vide:

      A UNICAMP ESTÁ DEMOCRATIZADA?

      A reitoria anunciou aos quatro ventos na ultima semana que metade dos estudantes aprovados para as 3.320 vagas vieram de escola pública; Seria o máximo da história da Universidade. Todavia é importante nos recordarmos de que no Estado de São Paulo são 85% os alunos que estudam na rede pública, o que já demonstra o abismo existente entre Universidade e a realidade da população.

      As estatíticas divulgadas mascaram ainda mais a realidade ao não considerar a desigualdade também dentro do sistema público já que estão inclusos nesses dados estudantes das ETECs, Institutos Federais, COTUCA e COTIL que têm uma condição distante da maioria das escolas públicas tanto por estrutura, contratação de professores, sendo esses os estudantes que entram em grande parte na Universidade com os pontos de escola pública. Vale a pena recordar que quem cursa, por muitas vezes o ensino médio nesses colégios, estudou o fundamental todo em particulares ou teve acesso a cursos preparatórios, algo que está totalmente distante da realidade daqueles que mais precisam de acesso à Universidade pública.

      Ainda está fora do debate nos atuais dados a quantidade de negrxs na Unicamp, que apesar de representarem a maior parcela da população brasileira, na Universidade atingem apenas uma pequena representatividade. Os dados publicados pela Unicamp em relação a situação, mostram a deslealdade da Universidade a respeito do tema ao considerar a proporção de negros matriculados em relação apenas ao alunos de escola pública e não ao total de alunos. Isso revela que na verdade SÓ 20% dos aprovados são negros! o que demonstra que a política de "inclusão" adotada pela reitoria a partir do PAAIS não da conta da democratização sendo assim urgente a necessidade de COTAS!

      Outro debate indispensável é o de políticas de permanência. A falta de assistência estudantil faz com que xs estudantes negrxs/ de escola pública não tenham condições de se manter na universidade aumentando exponencialmente a evasão. Sem que haja vagas na moradia, bolsas, bandejão aos fins de semana entre outras políticas é IMPOSSÍVEL assegurarmos a permanência desses estudantes na universidade.

      Dentro disso é importante recordarmos o enorme processo de corte de bolsas que tem ocorrido na Unicamp. Além do PIBIC, PIBID e Ciências sem fronteiras, a reitoria tem efetuado um enorme corte de bolsas-trabalho, onde já podemos conversar com diversos estudantes que perderam suas bolsas. Além disso faltam vagas na moradia há anos, situação essa que se agrava a cada ano, com casas cada vez mais superlotadas.

      Os dados do último vestibular mostram que xs estudantes querem ocupar a universidade, mas a necessidade de ampliação da assistência está atrasada. É urgente a ampliação da moradia e construção em todos os campi, ampliação das bolsas, a implantação de cotas e o bandejão no final de semana e café da manhã!!

      Fonte: DCE Unicamp

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  13. Governo omisso, pagamos impostos imensos, não temos acesso à saúde e educação de qualidade e ainda há penalização por pagar escola de qualidade para os filhos com muito esforço e privações... Que país é esse?!!! Mais uma decepção...

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  14. Poxa Edmilson! Os meus comentários não foram publicados. A princípio imaginei que você ainda não havia tido tempo para aprová-los, mas percebo que um comentário posterior ao meu foi publicado. O que acontece? Estávamos tendo uma conversa civilizada e repleta de argumentos importante e, de repente, você simplesmente trava o diálogo... Qual o motivo? Presumo que seja porque provavelmente as minhas mensagens não coadunam com a sua visão política. É isso mesmo? Fala sério... se o motivo for este (espero mesmo que não) é de uma postura antidemocrática imensa, beirando a censura. Como podemos "contribuir para o debate com honestidade" se você simplesmente impede que o debate aconteça? Eu concordaria se você banisse uma mensagem com teor violento, ofensivo ou mentiroso; mas o fato é que as minhas mensagens não ofendiam a ninguém, são bastante respeitosas, trazem argumentos que devem sim ser considerados em um debate sério (não adianta fingirmos a questão é simples e ignorar as nuances, isso é desonesto), eu simplesmente coloquei algumas questões e respondi a outras, da forma mais sincera e honesta possível. Enquanto isso você aprovou uma mensagem que responde a um argumento anterior (falho e discutível, mas legítimo) chamando-o em letras garrafais de BURRO e IMBECIL... Sinceramente, e falo isso do fundo do coração, eu descobri o seu blog através do seu texto sobre a Unicamp, mas acabei lendo outros textos seus por aqui (sobre a disputa pela prefeitura de Campinas, por exemplo) e, de modo geral, gostei da forma como você escreve e concordo com muitos dos pontos de vista que você expressou (não todos, obviamente). Logo agora que eu estava realmente gostando de seu blog você me censura?!

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    1. Não foi censura, não. Eu vivi a ditadura e fui muito censurado, não desejo pra ninguém. Foram muitos comentários (meu blog não é muito lido e é raro tanto comentário) e acho que acabei pulando uns. Vou dar uma revisada, mas acho que para o blog, o assunto já está meio esgotado. O comentário que cita "burro" e "imbecil" é uma resposta a um comentário de outro "anônimo".

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    2. Oi Edmilson! Peço sinceras desculpas pelo meu tom nesse último comentário que deu a entender uma filtragem interessada de sua parte na aprovação ou não de comentários. Acabo de ver que muitos dos meus comentários anteriores foram publicados (ainda falta alguns, mas sei que aparecerão no momento em que você tiver a oportunidade de vê-los). Enfim, também vivi a ditadura e lamento ter denotado a demora na publicação de posts em um blog com um termo que nos remete a uma fase tenebrosa de nossa história, a qual nos marcou profundamente. Sinceras desculpas por isso, amigo. De fato, dei mais uma vasculhada nas postagens de seu blog e vi que a quantidade de comentários não é tão grande quanto o registrado aqui, o que comprova que esse post rendeu mais pano pra manga do que o esperado, o que explica a demora. Concordo contigo que, provavelmente, em termos de dinâmica de blog o assunto possa estar já um pouco esgotado, mas pessoalmente acho interessante que sejam publicados os demais comentários e que, eventualmente, estejamos abertos a continuar a conversa, pois, penso que alguém que no futuro venha a se deparar com essa sua postagem poderá se beneficiar de uma discussão bastante interessante, sendo necessário apenas um pouquinho de paciência, interesse e tempo para ler a discussão já realizada (muito boa, por sinal). Quanto ao comentário que cita "burro" e "imbecil", realmente não foi resposta a um comentário meu (acho que não deixei claro que estava ciente disso), mas particularmente eu acho de um desrespeito enorme, além de um postura anti-diálogo e ignorante. Ainda que a pessoa tenha razão na resposta, o argumento fica demasiado enfraquecido por essa postura rude... Enfim, peço desculpas novamente e agradeço pela oportunidade de troca de ideias propiciada aqui nesse espaço.

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  15. Bem, com o sistema de cotas creio que gradualmente a qualidade do ensino e da instituição vá diminuindo, prova disso são as greves estudantis que vem ocorrendo ( coisa que não havia anteriormente) , pressao de alunos para que abaixem a média e etc...
    Pois bem, aos poucos , com o passar dos anos a tendencia é que a unicamp perca o grande renome que conquistou ao longo dos anos.
    Como uma possivel solução posso sugerir:
    1)aumentar o nivel das provas que vem a cada ano, perdendo mais e mais nivel de dificuldade.
    2)diminuir pela metade as cotas
    3)colocar um maximo de 1 dependencia por semestre , e que seja prevista a sançao de perda da vaga no caso de pegar mais dependencias.

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