segunda-feira, 20 de abril de 2015

Por que defendo o impeachment


A semana começa e nada indica que a crise caminha para um desfecho melhor para o país. Tenho defendido a saída do PT do poder, seja por impeachment, seja por julgamento do STF, seja por renúncia ou qualquer outra via legal, constitucional. Tenho rebatido quem fala em golpe militar (nem pensar!!!) ou a tal intervenção militar que tem aspecto legal, mas não tem garantia alguma de que, depois, viraria golpe. E tirar alguém do poder pela força das armas seria confessar nossa incapacidade civil de resolver nossos problemas políticos. Rebato dizendo que há mecanismos legais menos 
traumáticos para nos livrarmos desse governo que está desgraçando o Brasil.

Com um governo terceirizado – economia nas mãos de um liberal tomando medidas que o próprio PT contesta; coordenação política nas mãos do presidente do PMDB, o primeiro interessado num impeachment; movimentos levando milhões às ruas pedindo a saída do PT do poder; inflação voltando e não dando sinais de arrefecimento; desemprego comendo solto; modernização das relações trabalhistas barradas por retrógrados partidos de esquerda e suas soviéticas centrais sindicais; e um mar gigantesco de corrupção que cresce a cada dia, a cada delação premiada. Tudo isso provando que esse governo – e esse partido – não tem mais a mínima condição de continuar à frente de um país cujo orçamento já passa da casa do trilhão de reais.

E é nesse cenário, de total ingovernabilidade, que surge o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se colocando contra qualquer processo de impeachment. Sempre admirei FHC e continuo considerando-o o melhor presidente que o Brasil já teve.  A campanha que o PT fez e faz para destruir a bendita herança por ele deixada é a maior prova da qualidade de seu governo.  Mas nessa questão ouso dizer que FHC está pisando na bola.

Até entendo que a preservação dos ritos eleitorais, com governos sendo eleitos e tomando posse sem qualquer interrupção, é um dos maiores pilares da democracia. E FHC sempre quis preservar a democracia e jamais escondeu sua alegria em terminar seu governo e entregá-lo a um presidente eleito, mesmo que esse eleito fosse o líder da oposição ao seu governo.

Dizer, como ele disse, que impeachment não deve ser uma tese e que são necessários fatos que comprovem a improbidade ou qualquer outro crime para que o processo seja instaurado, demonstra, ele que me desculpe, que nosso grande sociólogo não está acompanhando de perto o governo petista. Uma amiga postou no Facebook reportagem com FHC contra o impeachment.  Comentei, contestando  a opinião de FHC, afirmando que Dilma cometeu crimes sim, pois foi beneficiada com a corrupção, já que  políticos foram comprados para dar apoio ao governo dela, como já havia ocorrido com Lula; usou a máquina pública na eleição e reeleição; teve caixa 2 já confessado por empresários; seu partido recebeu dinheiro do exterior durante a campanha, o que é proibido por lei e realizou as "pedaladas fiscais”, crime previsto na Lei da Responsabilidade Fiscal.

Pois um amigo dessa amiga, que não conheço, também comentou o post, discordando de FHC e afirmando que “a crise que hoje vivemos (inflação e desemprego) é a prova de que houve desrespeito à Lei das Diretrizes Orçamentárias, elaborada exatamente para que o executivo se mantivesse dentro do orçamento por ele proposto e aprovado pelo Congresso. Isso sem falar em Petrolão, em uso da máquina pública, mentiras da campanha e por aí vai...”

Vejam só, em apenas duas cabeças, seis motivos para que se instaure um processo de impeachment, como está previsto na Constituição. Será que FHC não viu nenhum deles? Acho difícil e não entendo como uma pessoa esclarecida como ele pode defender a continuidade de um governo que se tornou totalmente ilegítimo ao mentir descaradamente durante a campanha, ao não cumprir leis básicas para manter a economia estável, ao mudar uma lei para não ser acusada de crime de responsabilidade e ao patrocinar ou, no mínimo, ser conivente com uma corrupção como jamais se viu no Brasil e, arrisco dizer, no mundo, tamanho o volume da roubalheira só na Petrobras.

Por isso tudo, e por tornar o Brasil um país dilacerado ao tentar impor uma ideologia de esquerda, por fazer alianças com ditadores e governantes que tratam a oposição a tiros, por defender governos autoritários e antidemocráticos, por tentar se perpetuar no poder comprando votos com programas sociais, e por muito mais, é que defendo o impeachment.

A saída do PT do poder é o primeiro passo para que o Brasil retome o caminho da decência – mesmo que Michel Temer seja seu sucessor – e do desenvolvimento, já que as medidas que Levy vem tomando serão inócuas se o mundo não voltar a confiar no governo brasileiro. E no governo petista, até petistas já não confiam mais. 

Levy teve pena de Dilma?

Meu amigo Antonio Contente, no Correio Popular de hoje, tenta entender as razões que levaram o “Chicago Boy” Joaquim Levy a aceitar o cargo de ministro de um governo corrupto e decadente.

Como cair estando no topo

Antonio Contente

Ora, amigos, vamos falar a verdade, é duro vencer na vida. E muito mais para quem, tendo conseguido alcançar posição estável, de relevo, chega ao topo da sua atividade. Dentro deste viés é que, de vez em quando, me passa pela cabeça a figura do ministro da Fazenda, doutor Joaquim Levy.

Afinal, se você pegar seu curriculum certamente concluirá, pálido de espanto como no soneto, que ele é o típico filho que todo pai gostaria de ter. Não sei se sua família era abastada, pois, pelos dados de que dispomos já nos chega como engenheiro e economista. Nesta última atividade, porém, é que nadou de braçadas. Tanto que encontramos nas primeiras conquistas de sua esplêndida formação um indubitável título de mestre pela Fundação Getúlio Vargas; levando-o mais tarde a graduar-se PhD na mesma atividade como brilhante aluno da Universidade de Illinois, onde fez jus ao charmoso título de “Chicago boy”. O que lhe possibilitou acúmulo de vastos conhecimentos. Inclusive perfeito domínio da língua de Shakespeare, que usou para dizer, numa conferência a seus ex-colegas americanos, em São Paulo, que a presidente Dilma é “esforçadinha, tenta acertar, mas é ruim de serviço”.

Vale a pena, amigos, para melhor calçar estas reflexões, velejar pelo virtuoso mar das ascensões de Joaquim Levy. Que após surfar nas ondas das vitórias acima relatadas, ocupou cargos de relevo no FMI que o PT tanto odeia, chegando, também, a vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento. E mais: foi economista visitante junto ao Banco Central Europeu e, após regresso do Velho Mundo, teve cadeira no governo FHC, que dona Dilma diz ter quebrado o Brasil três vezes... Em 2000, o nosso atual ministro da Fazenda atuou como secretário da política econômica tucana. E, no ano seguinte, sempre sob a batuta do PSDB, foi economista-chefe do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão.

Porém algo que, a meu ver, era o topo, estava à espera do nosso personagem. Refiro-me à sua entronização como diretor-superintendente de gestão de ativos do Bradesco. Sim, amigos, Joaquim Levy finalmente chegara ao máximo de sua carreira, agora não mais como bancário, sim como banqueiro. Na rota que, adiante, fatalmente o levaria à presidência de um dos maiores bancos do mundo, que é a instituição de crédito acima citada.

Finalmente alcanço o ponto de tentar buscar respostas à minha perplexidade, robustecida no instante em que tomei conhecimento que Levy topou se tornar ministro da Fazenda do governo petista de dona Dilma Rousseff. Vamos falar português claro: o que pode ter levado tão brilhante profissional a, de repente, afastar-se do grande banco instalado na Cidade de Deus, em São Paulo, para ocupar cadeira na Cidade dos Diabos em que Lula (e sua tropa) transformou Brasília?

Ora, podem argumentar alguns, agora Levy é ministro! OK, responderão outros com a cabeça no devido lugar, mas ministro do PT? Ministro de dona Dilma Rousseff? É claro que se um brasileiro chega ao primeiro escalão de um governo decente, não só que saiba governar, mas que venha tocando o país com responsabilidade e afeto, ainda vá lá. Porém, ser ministro disso que está aí? Se você pesquisar pedindo opiniões aqui e ali sobre esse fato exótico, com certeza alguns poderão lhe dizer que Levy topou ser ministro por vaidade. Eu contestaria, certamente. Pois vida melhor que de ministro ele já tinha como banqueiro, para quem hotéis de muitas estrelas e jatinhos executivos fazem parte do dia a dia. E olha que nem estou considerando que o salário dos chefões da Esplanada brasiliense, junto ao que nosso herói ganhava na inciativa privada é menos, muito menos do que troco.


Assim é que depois de muito pensar inclino-me a acreditar que Levy se tornou ministro por piedade cristã. Afinal, oriundo da já citada Cidade de Deus, onde fica a sede do Bradesco, deve ter se tomado de pena da nossa situação caótica e resolveu nela dar jeito. O que, contudo, talvez S. Excia. ainda não tenha atentado, é que se conseguir livrar o Brasil do abismo, automaticamente estará ajudando Lula e sua tropa a continuar no poder. Com o País definitivamente saneado, os petistas ficarão quietos por uns tempos; porém, logo, voltarão ao saque, pois essa é a natureza da gang. Coitado do competente Levy; veio de tão próximo do Senhor para, de repente, cair nas unhas pontudas do gramunhão. Oremos por ele. E por nós...

A Folha é petista?


Abaixo, um artigo de Alexandre Borges publicado hoje no Facebook.



Dezoito de abril de 2015, o dia em que a Carta Capital reconhece a força da campanha do impeachment e a Folha prefere repetir a versão governista de que é "desespero da oposição". As aspas são minhas.

Na mesma capa, a Folha tenta dar ares de notícia ao 'spin' petista sobre o Implicante, usando a velha tática de assassinato de reputações e falsas equivalências que a esquerda é inigualável. o que renderá um processo judicial pelo que diz o Fernando Gouveia. Que se faça justiça.

Quando a Carta Capital parece a VEJA ao lado da Folha é porque o jornal de maior circulação do país está num momento crítico de sua história e precisa ser repensado. É o mesmo jornal que na semana do primeiro turno da eleição presidencial do ano passado disse que Aécio não iria para o segundo turno e depois deu capa para um "pobre" virando as costas para Aécio recusando um cumprimento.

O Brasil tem uma longa tradição de jornais governistas. O caso mais emblemático de todos foi a criação da Última Hora em 1951 por Samuel Wainer. Getúlio Vargas foi eleito em 1950 e usou a máquina do governo e o dinheiro do Banco do Brasil para que o país tivesse como seu principal jornal um veículo alinhado e obediente.

Wainer definiu a Última Hora como um "jornal de oposição à classe dirigente e a favor de um governo", não deixando dúvidas sobre a que veio. De uma hora para outra nascia, do nada, um jornal com o maior e mais moderno parque gráfico do país, colorido (uma novidade para a época), trazendo diversas inovações e um time impressionante de colunistas e jornalistas. Não bastasse tudo isso, ainda era vendido mais barato que os concorrentes e tinha toda publicidade do governo e das estatais.

O que não estava nos planos era que do outro lado estava Carlos Lacerda, dono da Tribuna da Imprensa. Se você não conhece a história da briga de Wainer e Lacerda na primeira metade da década de 50, saiba que o Brasil já foi muito mais interessante que hoje. Voltarei a esse assunto.

O que sobrou da Última Hora foi vendido para a empresa controladora da Folha em 1971. A viúva de Samuel Wainer, Danuza Leão, é colunista do jornal e o neto de Samuel, João Wainer, é o criador e chefe da TV Folha, além do diretor do filme "Junho", patrocinado pela própria Folha sobre as manifestações de 2013. A história sabe mesmo ser irônica.

sábado, 18 de abril de 2015

Sabadão revelador



Pela revista Época, ficamos sabendo que o ex-coordenador da campanha do PT em 2010, Antonio Palocci, então já anunciado como futuro chefe da Casa Civil da eleita Dilma Rousseff , amealhou mais de R$ 12 milhões em “consultorias” que ele, expert em todos os tipos de negócios do mundo, oferecia a preços altíssimos. 
Para o leitor ter uma ideia melhor, foi ele, Palocci, quem orientou o novato e inexperiente  Abílio Diniz na fusão de seu grupo Pão de Açúcar com as Casas Bahia. Recebeu alguns milhões pela “consultoria”...

Leiam esse trecho da reportagem da Época:
Não se sabe como Palocci poderia ser tão valioso numa negociação dessa natureza – nem por qual razão o Pão de Açúcar não o contratara diretamente. Mas ele prestou algum serviço? A renomada consultoria Estáter, contratada de forma exclusiva pelo Pão de Açúcar para tocar a fusão, informou ao MPF que, por óbvio, não – Palocci não prestou qualquer serviço, o que despertou suspeitas entre os investigadores. Fontes que participaram das negociações confirmaram a ÉPOCA que Palocci não participou de qualquer reunião, conversa informal ou troca de e-mails durante o negócio. Em ofício ao MPF, o Pão de Açúcar disse que “em função da relação de confiança desenvolvida” é comum que os “serviços de assessoria jurídica sejam contratados de modo mais informal”. Palocci não é advogado. Procurado por ÉPOCA, o Pão de Açúcar informou que não vai se pronunciar.

Não há dúvida, era propina mesmo, já que Palocci nada fez para merecer tais pagamentos.  Como, aliás, para outras duas empresas citadas na reportagem, que pagaram, respectivamente, R$ 4,5 e R$ 2,5 milhões ao moço. Ambas negaram que Palocci lhes tenha prestado qualquer serviço.

Já pela Folha de São Paulo em sua versão Online, ficamos sabendo, neste sábado, que a Camargo Corrêa pagou R$ 110 milhões em propinas para conseguir contratos com a Petrobras, numa denúncia que deixa mais claro ainda o enorme esquema de corrupção implantado pelo PT. Leiam trecho da reportagem:

O vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, disse em depoimento prestado em seu acordo de delação premiada que a empreiteira pagou R$ 110 milhões em propina para fechar contratos com a Petrobras entre 2007 e 2012.

Desse montante, a diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque nessa época, ficou com R$ 63 milhões, enquanto a diretoria de Serviços, que tinha à frente Paulo Roberto Costa, levou R$ 47 milhões, segundo Leite.

Confirmando denúncias anteriores, o PT, cujo operador na Petrobras era Renato Duque – ali colocado por Zé Dirceu -, ficava com a maior parte que era devidamente repassada ao partido e distribuída entre seus chefes, chefetes e outros ladrões do dinheiro público. Roberto Costa, que representava o PP, mas tinha o apoio também do PMDB e do próprio PT, levou parte menor, “apenas” R$ 47 milhões que também devem ter sido divididos entre os ladrões de sempre dos outros partidos da base do governo petista.

O presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, também é citado na reportagem. Um trecho de suas revelações é muito interessante: Ao falar sobre as obras conquistadas pelo cartel, Avancini cita 32 contratos da Camargo Corrêa e diz que todos os negócios fechados depois de 2007 foram conquistados com pagamentos de propina para a diretoria de Serviços, de Renato Duque.

Pois é, “todos os negócios fechados depois de 2007” só foram conseguidos depois de pagar propinas. Essas declarações, feias no âmbito das delações premiadas, provam, de uma vez por todas, que o esquema era de achaque mesmo: só fazia negócio com a Petrobras, quem pagasse propina. E não como já andaram dizendo alguns petistas por aí, que a Petrobras foi vítima das empresas que corromperam seus funcionários. Foi ao contrário: a Petrobras foi vítima do esquema petista de corrupção, esquema esse que tinha como objetivo manter a base aliada com pagamentos frequentes (mensais?) e enriquecer cúpulas partidárias, principalmente do PT.

Já pelas revistas Veja e Isto É ficamos sabendo que a prisão de Vaccari atinge frontalmente tanto Lula quanto Dilma. Apesar de a tática da hora ser afastar Dilma do PT e de Vaccari, já há provas de que o tesoureiro preso do PT era um dos principais arrecadadores da campanha de Dilma e que tinha tanto caixa 1 – que ele alega ser a única – como também caixa 2. Leiam um trecho da reportagem da Veja:

Desde 2003, quando o PT assumiu o poder, Lula nunca mais soube de nada. No caso do petrolão, não é diferente. Desde a eleição passada, quando se trata do esquema de corrupção, Dilma lava as mãos e posa como saneadora da Petrobras. Os dois querem se afastar de Vaccari, mas as informações colhidas pelas autoridades mostram que o "mochila" - ou Moch, como o tesoureiro era chamado - é um operador a serviço dos dois presidentes. Um operador que agora está preso e, na condição de investigado e encarcerado, tende a aumentar o desgaste da imagem do governo, do PT e de seus dois principais líderes. No fim do ano passado, o detalhista Barusco declarou às autoridades que agiu em parceria com Vaccari e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, a fim de levantar dinheiro sujo para os cofres petistas. Vaccari nunca explicou por que se reunia tanto com Barusco e Duque, e sempre insistiu na tese de que as empreiteiras fizeram doações ao partido dentro da lei. Se no mensalão tudo não passara de "caixa dois", como alegara Delúbio Soares, o primeiro tesoureiro do PT preso, no petrolão tudo agora seria "caixa um", ou financiamento legal, na novilíngua de Vaccari, o segundo tesoureiro do PT preso num prazo de um ano e meio.

Essa versão já havia sido desmentida por empresários. Eles confirmaram que pagaram propina e que o tesoureiro usou a Justiça Eleitoral para esconder o crime. A novidade é que Vaccari, segundo as autoridades, também praticou o bom e velho "caixa dois", que teria custeado uma despesa da primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff. Ao determinar a prisão dele, o juiz Sérgio Moro relatou informações prestadas por Augusto Mendonça, executivo da Setal. Um dos delatores do petrolão, Mendonça disse que, em 2010, Vaccari determinou a ele que repassasse 2,5 milhões de reais à Editora Atitude, controlada por sindicados ligados à CUT e ao PT. O dinheiro, de acordo com o delator, foi descontado da propina que a empreiteira devia ao partido como contrapartida por contratos na Petrobras. Os pagamentos começaram a ser realizados em junho daquele ano. Três meses depois de a Setal começar a desembolsar a propina, na véspera da eleição, a gráfica imprimiu 360 000 exemplares da Revista do Brasil, edição que trazia na capa a pré-candidata Dilma Rousseff e o título "A vez de Dilma".

Parece que o esquema todo de arrecadação ilegal de dinheiro pelo PT vai sendo revelado e não deve restar mais dúvidas de que essa grana toda beneficiava os chefões. Palocci, Vaccari, Duque, André Vargas, Zé Dirceu e outros que achacaram empresários eram da cúpula petista. Dilma e Lula não sabiam de nada? É mais que evidente que não só sabiam como foram grandes beneficiários de todos os esquemas, afinal o dinheiro sujo pagava campanhas eleitorais e comprava apoios políticos no Congresso. Por muito menos que isso, o PT comandou a campanha de impeachment de Fernando Collor. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O PT vai privatizar o pré-sal

Quem disse que o PT não faz privatizações? Saiu hoje no jornal Valor Econômico que a Petrobras vai incluir participações em blocos do pré-sal entre os ativos que pretende vender para arrecadar até US$ 14 bilhões entre 2015 e 2016. O jornal apurou que a estatal decidiu colocar no programa blocos de boa qualidade para tornar o pacote mais atraente aos investidores.

Como sabemos, esse o plano de vendas do patrimônio da estatal foi anunciado pela companhia no início de março, mas o processo efetivo está começando agora, com a abertura das informações aos investidores interessados. O processo está sob a coordenação do Bank of America, contatado pela 
Petrobras para oferecer o patrimônio público da empresa aos interessados.

Pois é. As privatizações que ocorreram na era FHC e que tantos lucros trouxeram e continuam trazendo para o Brasil sempre foram criticadas violentamente pelo PT. Pois agora é o PT quem está privatizando. Isso é ruim? Pode ser e pode não ser.

Se as regras da privatização acompanharem o que foi feito em algumas estradas federais, vai ser muito ruim para o Brasil. Isso porque o governo petista exigiu que os pedágios dessas estradas tivessem um preço bem menor que os das estradas estaduais paulistas, só para dizer que nas estradas 
federais o pedágio do PT era mais barato que o do PSDB.

Só que deu zebra. Com pouca arrecadação, as empresas que adquiriram o direito de administrar as estradas federais e cobrar pedágios não tiveram recursos para investir na melhoria e manutenção das rodovias. Resultado: as estradas continuam ruins, só que agora com pedágio.

Se essa demagogia, esse populismo que só desgraça o país continuar a existir na privatização de áreas do pré-sal, então não vai dar nada certo. Mas, como quem está dirigindo a economia é um liberal, que pensa totalmente diferente da cúpula petista, a coisa pode andar e o resultado pode muito bem ser favorável ao Brasil.

Os marajás da Prefeitura

Você já ouvir falar em greve dos advogados da Prefeitura? Não ouviu, né? Ninguém ouviu. Eles jamais entraram em greve. Por quê? Porque, pelo menos aqui em Campinas, ganham uma nota preta, muito acima dos outros servidores e até mais que o prefeito.

Com uma rápida pesquisa no portal da Prefeitura, onde estão dispostos os salários dos servidores mês a mês, dá pra se ter uma boa ideia de quando ganham os advogados municipais, chamados de “procuradores”. O menor salário que encontrei para um “Procurador” foi de R$ 15.325,00. Mas só encontrei um com esse valor. Quase todos os outros passavam de 20 mil, outros passavam de 30 mil e, pelo menos um recebeu, no mês de março, a R$ 45.457,00.

Fiz essa pesquisa porque acabo de ler que o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB) enviou à Câmara um projeto de lei que, segundo o Blog da Rose, “divide igualitariamente entre os procuradores da Prefeitura de Campinas a verba de sucumbência, que são honorários advocatícios recebidos de ações impetradas pelo município contra o contribuinte devedor. O valor é pago para os 135 procuradores (ativos e aposentados)”.

É isso mesmo que o caro leitor leu: os advogados que trabalham para a Prefeitura recebem um extra, chamado “verba de sucumbência”. Cada vez que um processo termina e a Prefeitura consegue receber de um contribuinte devedor, parte da grana vai para o advogado. E quando há campanha para pagamento de débitos antigos, a grana fica muito maior ainda, porque muitos acordos são feitos.

Ué? Mas o advogado já não é contratado, por um ótimo salário, para fazer isso mesmo? Pois é. Além do ótimo salário, tem esse extra que, segundo a Prefeitura, chega a ser, em média, de R$ 5 mil por mês. Quanta gente, na própria prefeitura, não gostaria de ganhar só esse extra, hein?

Já pensou se cada médico resolvesse que deveria ganhar um extra por operação realizada no Mario Gatti ou no Ouro Verde? 

Ou se cada professor quisesse mais 5 mil por mês a cada mês de aulas dadas?

Ora, os trabalhos de uns e de outros não podem ser diferenciados a ponto de uma classe exclusiva receber uma bolada extra por fazer o que é sua obrigação e par a qual já ganha muito bem.

Por aí se vê a razão pela qual advogado da Prefeitura não faz greve. Eles estão mais que satisfeitos com o que ganham.

Pra encerrar, só algumas perguntinhas: por que essa verba extra também é dividida com os procuradores aposentados? Se é pelo trabalho de ganhar uma ação, por que pagar também o aposentado que não defende mais a Prefeitura? 

E quando a Prefeitura perde uma causa, a grana que ela ia receber caso ganhasse não é descontada dos salários dos procuradores? Tá bom, eu sei que não, mas perguntar não ofende, né? 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Algemas neles!


A prisão de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, por suspeita de corrupção, expõe o maior partido brasileiro ao seu maior vexame desde que foi criado há mais de 20 anos. Isso porque a prisão o pegou em pleno exercício de suas funções, ou seja, ele é um representante da mais alta cúpula do partido e se a Justiça tem razões suficientes para prendê-lo temporariamente (o que significa que ele só será solto se a própria Justiça entender que pode soltá-lo) é porque ele está mesmo envolvido no que a Justiça desconfia estar. Caso contrário, mesmo com toda coragem que vêm demonstrando os bravos homens da Justiça Federal do Paraná, seria muito arriscado tirar de circulação um dirigente do PT desse coturno sem que fatos mais que concretos estivessem a justificar a decisão.

Tanto assim é que um dos promotores disse, na entrevista coletiva que se seguiu à prisão, que Vaccari vem operando de forma ilegal para o PT há cerca de 10 anos. O que prova que a PF já juntou inúmeras provas de que o atual tesoureiro é useiro e vezeiro da prática da “propinagem”, prática essa tornada quase uma instituição no governo federal desde que o PT dele se apossou.

O PT, tão esperto em suas ações para se livrar de acusações mais diretas, parece também estar perdendo o rumo. Manteve seu tesoureiro no cargo apesar de muita gente no partido pedir sua saída – espontânea ou forçada – para que não sofressem o desgaste de ver mais um de seus altos dirigentes preso ainda oficialmente ligado ao partido.

O fato é que talvez seja mais difícil abandonar Vaccari ou proporcionar uma espécie de prova de seus atos irregulares expulsando-o do partido. Por ser petista de primeira hora e ter subido na hierarquia partidária junto com todos os outros figurões, deve ter visto e vivido muita coisa. E pode ter ameaçado todo mundo com o que sabe.

A prisão de Vaccari provocou uma reunião de emergência entre o presidente e o chefe do PT. Falcão e Lula se reuniram em São Paulo, num encontro que não estava programado e que não deve ter dado nem tempo de esconder da imprensa. 

A reunião urgente demonstra a preocupação do partido com a prisão. Agora, o tempo dirá se Vaccari vai resistir ao interrogatório como fez na CPI, onde estava protegido pelo STF, por advogados caríssimos e por uma turminha de petistas na plateia.

Na fria cela da prisão paranaense, terá tempo de refletir se vale a pena ficar calado e passar para a história como herói da escória política do Brasil ou se conta o que sabe, assume sua culpa, se livra de uma pena maior e ajuda a colocar na cadeia os verdadeiros chefes da quadrilha que vem roubando bilhões e bilhões do Brasil há mais de 12 anos. 

Cada enxadada uma minhoca!

Reportagem publicada hoje no portal Agência de Notícias da Polícia Federal:

PF investiga suposta organização criminosa por corrupção em Estatal

Brasília/DF – A Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União, deflagrou hoje (15) a Operação Choque, com o objetivo de investigar suposta presença de uma organização criminosa dentro da Eletronorte S.A.

Foram cumpridos 10 mandados judiciais, sendo 8 de busca e apreensão e 2 de prisões temporárias em Marília/SP, Brasília/DF, Porto Velho/RO, Rio de Janeiro/RJ e Belo Horizonte/MG. Cerca de 50 policiais federais participaram da operação.

Até o momento a investigação comprovou que um integrante do corpo gerencial da estatal, por meio de uma empresa “laranja” em nome de familiares, enriqueceu ilicitamente, recebendo vantagens indevidas de pessoas jurídicas que mantinham contratos com a empresa.

A PF e o MPF investigam a possível prática dos crimes de corrupção passiva e ativa, formação de quadrilha, fraudes licitatórias, lavagem de dinheiro, além de trabalhar para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa.

Inauguração dia 25 de abril, à tardinha


terça-feira, 14 de abril de 2015

TCU deve investigar denúncia

Segue abaixo o trecho final do pedido do procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público de Contas, ligado ao TCU, em que ele coloca a necessidade de o Tribunal de Contas investigar as denúncias do ex-diretor da empresa holandesa SBM em relação a propinas da Petrobras para a campanha eleitoral de Dilma no ano passado.
Ao ver do Ministério Público de Contas, a gravidade e a materialidade dos fatos envolvidos nesta investigação recomenda que este processo seja convertido em auditoria e que o próprio TCU investigue a fundo a denúncia de pagamento de propinas pela empresa SBM Off Shore para obtenção de contratos com a Petrobras.
Com efeito, dispondo o TCU das amplas competências que a Constituição Federal lhe outorga, incluída a de processar e julgar danos cometidos contra a Administração Pública, condenando os responsáveis em débito, e a larga dimensão dos eventos de corrupção na maior empresa brasileira, afigura-se de todo recomendável que o próprio TCU assuma o comando desta investigação, em vez de aguardar os eventuais e incertos desdobramentos de investigações conduzidas pela própria Petrobras e pela CGU.
Para tanto, pode o TCU requerer à Petrobras e à CGU o envio de cópia integral de todos os processos de investigação sobre esse tema, para a partir desse ponto, promover suas próprias investigações.
Independentemente da conversão dos autos em auditoria a ser conduzida pelo próprio TCU, entende o Ministério Público ser extremamente útil, ao conhecimento que esta Corte de Contas deve ter sobre o caso, a oitiva do ex-diretor da SBM, Jonathan David Taylor, como medida instrutória, o que desde logo se requer e que certamente muito contribuirá para a elucidação das questões tratadas nos autos.
Para tanto, sugere o Ministério Público de Contas a ida de auditores do TCU ao Reino Unido para entrevistar o ex-diretor e colher com ele elementos de prova de que disponha ou, alternativamente, o estabelecimento de tratativas para promover a vinda do ex-diretor ao Brasil para sua oitiva pelo TCU.
Brasília-DF, em 14 de abril de 2015.
(Fonte: O Antagonista)

Prefeito de Campinas reinaugurou farmácia fantasma

A notícia abaixo está no portal da Rádio CBN de Campinas:

Desde que foi reinaugurada no dia 02 de abril, a Farmácia Popular localizada no Centro de Campinas segue sem nenhum medicamento disponível para a população. Nesta terça-feira, os funcionários da unidade afirmaram que a previsão de chegada dos remédios é para o próximo dia 16. 

A farmácia foi reaberta no início do mês pelo prefeito Jonas Donizette e pelo secretário Cármino de Sousa. Desde a reinauguração, mesmo sem remédios, a unidade permanece aberta, com o quadro de funcionários completo e sem nenhum tipo de informação sobre a falta de medicamentos para os usuários do serviço. 

Por isso, é comum a ida de pessoas ao local que saem de mãos vazias. É o caso do empresário Alessandro Gallo, que esteve nesta terça-feira na Farmácia Popular e saiu com apenas uma lista de todos os medicamentos que estão em falta. O aposentado Luis Pivatti reclama do descaso com a população. A professora Maria Cecília da Silva mora no prédio que fica em cima da Farmácia Popular e diariamente ela vê pessoas irem ao local, que não oferece nenhum medicamento.

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a Fiocruz, responsável pela distribuição dos remédios, garantiu que os medicamentos devem ser entregues até o final desta semana. A fundação não informou ao município quais foram os motivos do atraso, segundo a assessoria.

Há 12 dias a farmácia está aberta, os funcionários estão ganhando pelos dias “trabalhados”, mas ela não está exercendo a única função para a qual foi criada e “reinaugurada” com grande estardalhaço pelo prefeito Jonas Donizette (PSB): distribuir remédios para a população de Campinas.

Quem está pagando por mais essa maquiagem em Campinas? Nós, que pagamos IPTU e outros impostos para sustentar um governo sem qualquer competência. 

Venezuela, Argentina e Brasil no negativo em 2015

A Venezuela, aquele país adorado pelos petistas e endeusado por Lula, deve registrar um recuo de 7% no seu crescimento em 2015. A previsão é do FMI. A Argentina, que está ido para o mesmo buraco que a bolivariana república socialista, deve recuar menos, apenas 0,3%.

Mas não é só nos países onde os delírios autoritários da esquerda se fazem presentes que a coisa está feia. Aqui também está e não será preciso elencar as agruras provocadas pela gestão de dona Dilma para percebermos que estamos à beira de um bom período de vacas magras.

O FMI andou divulgando nesta terça-feira suas previsões para 2015 e 2016 para a América Latina e elas não são nada boas. O FMI é aquele fundo odiado pelas esquerdas e que foi peitado por Lula que, num arroubo de vira-lata, mandou quitar os empréstimos só para arrotar que não devíamos mais nada a eles. Era verdade. Só que era pior para o Brasil. Lula deixou de pagar juros baixos ao FMI para pagar juros bem mais altos a banqueiros brasileiros aos quais ele pediu para comprar a dívida do fundo. Claro que foi um crime, mas estamos no Brasil, né?

Mas, como eu dizia, o FMI, apesar de odiado pelas esquerdas (ou por isso mesmo) não costuma errar em suas previsões. E ele está prevendo que o Brasil deve encolher 1% em 2015. Ou seja, depois de “crescer” 0,1% em 2014, vamos andar para trás em 2015. E, em 2016, a previsão é de que o Brasil vai conseguir crescer 1%.

Para fazer frente às suas necessidades de arrecadação, de superávit primário e de criação de emprego, o Brasil precisa crescer, no mínimo, 5% ao ano. Nos quatro primeiros anos de Dilma a média foi de 2%... 

Campinas é campeã dos casos de dengue



Mais de 22,5 mil casos de dengue em Campinas. A cidade já está em primeiro lugar entre as paulistas, ganhando até de São Paulo que tem dez vezes mais habitantes. E ganhamos de São Paulo em números reais, não proporcionais.

Durante do governo de Hélio de Oliveira Santos (PDT), cassado por corrupção, Campinas bateu o recorde da epidemia. Recorde que foi quebrado no ano passado pelo atual governo com muita folga. Agora talvez estejamos partindo para quebrar novamente marca do ano passado. E o que mudou de lá pra cá? Nada. Absolutamente nada.

A demagogia nos discursos, a falsa humildade, a arrogância disfarçada, a incompetência para governar, as obras cosméticas, enfim, Jonas em tudo se assemelha a Hélio.

A cidade vê, mais uma vez, atônita, o mosquito da dengue proliferar livremente e vencer a Prefeitura em todos os bairros. Sem combate eficaz por parte da Secretaria de Saúde – falta gente, faltam recursos são as desculpas de sempre – mas com campanha publicitária cara no rádio, na TV, nos jornais e na rede de computadores totalmente errada (palavra de um especialista), a epidemia de grassou forte novamente.

22,5 mil casos para uma população de 1,5 milhão, significa que de cada 48 campineiros, um está com dengue. Ou a marca de 2 mil casos para cada grupo de 100 mil habitantes.

Campinas não merecia mais um governo tão incompetente como esse.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Pega na mentira

Do site da revista Veja:

Um texto publicado no Portal Metrópole e que circula nas redes sociais atribui ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a frase "precisou-se que uma mulher chegasse ao poder para se começar a limpar a corrupção". O mandatário norte-americano teria feito o elogio à presidente Dilma Rousseff durante a Cúpula das Américas, evento que ocorreu na semana passada no Panamá e reuniu diversos chefes de Estado americanos, como Raúl Castro (Cuba) e Nicolás Maduro (Venezuela). 

A frase, no entanto, não consta nas transcrições dos discursos e das coletivas de imprensa concedidas por Obama durante o evento. A Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos, disponibiliza todo o material em seu site. Dilma e Obama tiveram encontro público, no qual ficou agendada uma visita da presidente do Brasil aos Estados Unidos no dia 30 de junho. 

O Portal Metrópole diz que a frase foi pronunciada durante o discurso de Obama e, pelo jeito, não foi. E se tivesse dito, estaria provando estar totalmente desinformado do que ocorre no Brasil.

Mesmo porque a corrupção na Petrobras, por exemplo, a maior do mundo, começou de modo institucional, aumentando substancialmente os valores e determinando a distribuição entre partidos políticos em 2003, 2004, como disseram os presos na Operação Lava Jato em confissões na delação premiada.

Dilma teve todo poder sobre a Petrobras desde 2003, quando foi nomeada ministra das Minas e Energia e só aumentou esse poder como ministra da Casa Civil e como presidente da República. 

Enquanto isso, a corrupção corria solta. Só quando a Polícia Federal, acionada pelo Ministério Público e com as investigações sobre o doleiro Alerto Youssef alcançaram a Petrobras e o PT, é que Dilma começou a discursar que estava combatendo a corrupção. Na verdade, jamais combateu. Pelo contrário: sabia que ela existia e nada fez. E dela se aproveitou, já que a base aliada só lhe apoiava porque era comprada com o dinheiro da corrupção. 

Chega de Dilma. Chega de PT


Há quem diga que o público menor nas passeatas de ontem, 12 de abril, seria prova de que o governo está ganhando terreno e que os protestos tendem a diminuir. Ledo engano. O próprio governo viu a diminuição do público como um fato menos importante que lhe servirá apenas para ganhar tempo de pensar em alguma estratégia que o favoreça. Mas, se há tempo, não há ainda estratégia.

O fato é que o PT, se pretendia governar através de Dilma, como fez no primeiro mandato, desta vez esbarrou no enorme imbróglio que se tornou continuar governando o Brasil depois de 8 anos de Lula e 4 de Dilma.

Em primeiro lugar, e muita gente deve se lembrar, o PT assumiu sem um projeto de governo. Se tinha aquele em que a dívida externa seria ignorada, que o parque fabril passaria por estatizações, que a economia seria totalmente comandada pelo governo e que o partido quase único reinaria soberano e ditatorial, ele morreu quando Lula e Zé Dirceu perceberam que tinham de mudar o figurino ideológico caso quisessem conquistar o poder.

A Carta de Recife com juras de cumprimento dos contratos, fidelidade ao mercado e, principalmente, com respeito às regras básicas da economia produzidas na era FHC foram não só o passaporte para o poder como a adoção de um projeto sobre o qual o PT não tinha qualquer domínio. Tanto que chamou Henrique Meirelles, um tucano – eleito deputado federal pelo PSDB! – para tomar conta do Banco Central e colocou Palocci (corrupto, sim, mas com uma visão liberal da economia) na outra ponta do comando da economia do país.

Mas, nem como essa guinada a favor da governança, o PT teria tido sucesso em sua empreitada não fossem as circunstâncias da economia mundial que, de 2004 a 2007/8 foram por demais positivas para os países em desenvolvimento em geral e para o Brasil em particular.

Lembram quando Obama disse que Lula era “o cara”? Pois foi em 2009 e ele estava se referindo ao crescimento do PIB brasileiro dos últimos 3 anos que havia sido, na média, 5%. O PIB de 2009, que resvalou no zero, já refletia a crise mundial e, de 2009 a 2013, a média foi de 2,6% que, se crescida do 0,1% de crescimento de 2014, diminui ainda mais.

Ou seja, enquanto a economia mundial sorriu, enchendo o Brasil de dólares por nossas commodities, o “programa” do PT funcionou. Sem o recurso externo, as políticas econômicas se mostraram todas fracas e prontas a cobrar seus preços imediatamente. Assim, o fim da diminuição do IPI na indústria automobilística e na linha branca de eletrodomésticos já provoca queda de mais de 20% na produção e milhares e milhares de demissões. Isso pra ficarmos só num exemplo. A previsão mais otimista é 
que vai piorar um pouco e a mais pessimista é que vai piorar muito.

Agora, quando a fatura da farra a que o PT submeteu o país, não só derrapando na economia com medidas populistas e demagógicas, mas promovendo um mar de corrupção, o partido perdeu o rumo. Com as pesquisas indicando que a população se sentiu traída por ter votado em quem votou, com apenas 13% de aprovação e 60% de reprovação (ruim e péssimo) a presidente não tem mais as mínimas condições de governar.

Os protestos que, mesmo com menos gente, se espalharam por mais cidades, mostraram que não dá mais para continuar do jeito que está. O “Fora Dilma” é um recado claro. O “Fora PT” não deixa dúvida de um sentimento de repulsa ao um partido inepto e corrupto ao extremo. O impeachment, mesmo sendo um caminho complicado, está na boca do povo – 77% acham que ele deveria ocorrer.

Se a economia tende a piorar – no sentido de exigir mais sacrifícios ainda da população – o futuro imediato do Brasil será o caos caso ele continue a ser dirigido, pelo menos oficialmente, por Dilma e pelo PT. A terceirização a que Dilma submeteu seu próprio governo, não será suficiente para saciar a vontade da população de ver esse partido e tudo que ele hoje representa, se definhar longe do poder no Brasil.

domingo, 12 de abril de 2015

Valeu Campinas!

As duas fotos abaixo eu tirei durante a passeata de hoje. Estávamos na Avenida Moraes Salles e eu estava bem no meio dos dois blocos. A multidão ia do cruzamento com a Irmã Serafina até a esquina com a Francisco Glicério. E era bem compacta. Quem disser que tinha só 10 mil pessoas é porque não sabe contar ou é petista. 





sábado, 11 de abril de 2015

“O povo na rua derruba a ditadura”


O titulo deste post é uma homenagem aos que lutaram bravamente pela restauração da democracia – e não pela implantação de outra ditadura, de esquerda – e é lembrado a propósito das manifestações deste domingo, 12 de abril, que tem tudo para ser histórico no Brasil.

O grito que dávamos, quer nas assembleias no Pátio dos Leões da PUC de Campinas, quer na estreita Barão de Jaguara, um olho no ombro da frente e outro à procura de um camburão qualquer que se aproximasse, ou ainda em alguns comícios no Largo do Rosário, era o mais emblemático e forte de todos.

Era o recado das ruas aos milicos que insistiam em se perpetuar no poder. Era tímido ainda e, muitas vezes calado com jatos de água fria ou cassetete no lombo dos que não conseguiam velocidade suficiente para fugir da repressão. Mas era um grito forte e ele chegava aos ouvidos que queríamos que chegasse.

O Brasil viva a ditadura militar, havia censura, os partidos eram vigiados, a tortura e as prisões sem sentido já haviam terminado – ou pelo menos diminuído bastante – mas queríamos mais. Queríamos que houvesse liberdade partidária, que a censura acabasse, que as eleições, em todos os níveis, fossem diretas.

E havia a economia, dando sinais de que a crise de 1973, que havia dado ao petróleo um preço compatível com sua importância de combustível do mundo, estava degringolando. Expunha  o modelo de estatização, de predominância do Estado sobre o mercado, como era um barco furado, como não se cansava de dizer os jornais da família Mesquita, clamando diariamente pela abertura econômica que jamais iria acontecer até o último general e o primeiro civil (José Sarney – e que me perdoem as pessoas honestas por citá-lo).

Pois as manifestações de amanhã, 12 de abril, acontecem num momento em que a economia, também enfrenta mares turbulentos e não vê porto seguro antes de chegar mais ainda ao fundo do poço: inflação, desemprego, desinvestimento, PIB negativo e outras desgraças ainda vão tomar mais conta do noticiário neste terrível 2015.

É por isso – e também pelo inacreditável mar de lama da corrupção em que o PT transformou o Brasil – é que precisamos todos mostrar nossa indignação. E a melhor maneira é irmos neste domingo para as ruas, encher as praças e avenidas com nossos gritos de “BASTA!!!”, nossos clamores por honestidade, nossas súplicas por um governo decente.

O caminho para que cheguemos a algum lugar diferente do inferno que se nos avizinha nas mãos do PT, é justamente forçando ao máximo a barra para que essa corja seja escorraçada do poder. Não pela violência de um golpe, mas pela força das ruas que intimidarão políticos que não terão outra saída a não ser preparar o fim – rápido, claro – de um governo que não se sustenta mais por qualquer critério – ético, moral, econômico, político ou social.

As ruas com nossa revolta, com nossos brados de protesto podem ditar o futuro imediato do Brasil que pode garantir um futuro distante bem melhor do que o PT quer, pois esse partido de estranhos matizes de esquerda, só pensa em si mesmo dominando tudo. Quer, no lugar de um país desenvolvido, um partido desenvolvendo suas exóticas teorias; no lugar um uma economia forte, um partido ditando regras a empresários escolhidos pelo grau de propina que estão dispostos a pagar; no lugar de um povo saudável, uma fila interminável em hospitais públicos enquanto seus asseclas roubam verbas da Saúde.

Esse cenário de horrores que estamos vivendo só se muda com a determinação de nossos protestos. Todos às ruas amanhã. É o mínimo que podemos fazer pelo futuro das nossas vidas.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Da arrogância às algemas


Ficou famosa a foto em que o então deputado André Vargas (PT) exercendo a presidência da Câmara, ao receber o então presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ergueu o braço e, com a mão fechada, fez o mesmo gesto que os dois líderes petistas, Zé Dirceu e José Genoino, condenados por corrupção, fizeram ao entrar no presídio para cumprir a pena que lhes foi imposta pela mais alta corte de Justiça do país.

Vargas se associava assim aos criminosos e destratava não só o juiz ali presente, mas o próprio STF que, num julgamento histórico, expôs a face corrupta do governo Lula à execração nacional.

A associação, hoje se vê, não foi apenas por motivos ideológicos. Aquela quadrilha que o STF fez questão de mandar para a prisão tinha em André Vargas um de seus componentes que, talvez por razões de esperteza, não tenha sido apanhado. Mas já era ladrão contumaz dos cofres públicos e, por isso, expunha, com arrogância e soberba, sua “solidariedade” aos outros ladrões que Barbosa tinha ajudado, e muito, a mandar para a cadeia.

Talvez crente da que a punição que alcançara seus chefes de gangue se estancaria ali e ele estaria impune ad eternum, se arriscou ao gesto, sem sequer imaginar que naquele pulso erguido se encaixaria, pouco tempo depois, uma das pulseiras de um mais que merecido par de algemas.
Vargas foi preso nesta sexta-feira e o principal esquema corrupto em que se envolveu tinha como “sócia” uma agência de publicidade, tal qual o mensalão. 

Essa agência, a Borghi/Lowe, recebia dinheiro do Ministério da Saúde e repassava 10% desses valores para duas agências de fachada que eram de Vargas e de seu irmão. Essas agências emitiam notas fiscais de serviços que não realizavam.

Foram, segundo as investigações da Lava Jato, 112,2 milhões de reais, desde 2011, que o Ministério pagou para a Borgui/Lowe. A agência também assinou  contratos com a Caixa Econômica Federal, que não informou quanto já foi pago.

Assim, o homem do braço levantado que talvez um dia sonhou ser chamado de herói pela tralha petista que defende seus bandidos, terá outros usos para esse mesmo braço na prisão, como erguê-lo na hora da chamada, como pegar a quentinha no almoço e no jantar ou, ainda, para puxar a descarga do banheiro coletivo que agora vai usar. Tudo muito diferente do que fazia em sua mansão, num condomínio de luxo em Londrina, provavelmente comprada com o dinheiro roubado dos cofres públicos e que poderia estar sendo usado para tratar de saúde de muitos brasileiros. 

"Bye Bye Dilma"

É com o maior prazer que publico aqui hoje o artigo publicado no Estadão, de Fernando Gabeira

Bye Bye Dilma

FERNANDO GABEIRA

Domingo é dia. De novo. O governo respondeu mal. Ele joga com o tempo. Sabe que é difícil manter tanta gente na rua quando sem um resultado tangível. É um cálculo válido para período de estabilidade e crescimento. O Brasil em crise é um fio desencapado. As manifestações não conseguiram ainda seu objetivo: Fora Dilma.

No entanto, Dilma já não está tão dentro como antes. A iniciativa política foi arrebatada pelo PMDB. O ajuste econômico é conduzido pelo liberal Joaquim Levy, que o negocia com o Congresso Nacional.

O debate sobre o ajuste tem conteúdo para ser discutido dias seguidos. Quase todos concordam que um ajuste adequado levará o Brasil de novo ao crescimento. Mas poucos se perguntam sobre o crescimento. Será que vamos reunir forças para um novo voo de galinha? Retomar o crescimento significa entupir os lares de eletrodomésticos e carros, exaurir os rios de forma irresponsável?

Mesmo para um voo de galinha as perspectivas não são boas. Teremos energia para o crescimento em 2016? Nossas estradas suportam um aperto econômico – elas que foram devastadas pelo tempo e pela corrupção? Todos se interrogam para onde estamos indo. Marchar para uma euforia consumista e, depois, cair na depressão torna a política econômica uma nova droga.

O escritor Frei Betto usou a imagem do filme Good Bye Lenin! para expressar o espanto de alguns eleitores de Dilma: é como se dormissem com a vitória de sua candidata e acordassem com a de Aécio Neves, seu adversário. Esse filme de Wolfgang Becker é bem lembrado porque conta a história de uma comunista fervorosa de Berlim oriental que ficou oito meses em coma e acordou depois da queda do Muro. E o esforço do seu filho era para mascarar os traços do capitalismo e evitar que ela se chocasse com o movimento da História.

Good Bye Lenin!, na minha opinião, não exprime apenas a perplexidade dos eleitores de Dilma. Ele exprime a perplexidade de toda a esquerda, que deveria estar acordando de um grande sonho e se espantar com o mundo, como a comunista de Berlim ao ver um imenso anúncio publicitário do outro lado da rua. Seria como se um cubano acordasse na Costa Rica ou um venezuelano nos supermercados do Peru, algo tão diferente. Nesses anos em que o Muro de Berlim caiu, muitos continuaram em coma, ou protegidos das mudanças no mundo real.

Isso não teria tanta importância se a esquerda não fosse para o poder com uma parte das ilusões. Ela confundiu partido com Estado e capitalismo de leis implacáveis com seus sonhos socialistas.
Não deveria. Marx estudou muito para explicitar essas leis. Nem sempre acertou, mas as estudou profundamente e jamais apoiaria um enfoque apenas consumista. Não porque Marx fosse da elite branca. Mas porque saberia que a conta seria cobrada na frente.

Hoje a conta está sendo cobrada. Dormiu-se com a promessa do paraíso, acorda-se numa realidade inequívoca: tanto Dilma como Aécio seriam obrigados a algum tipo de ajuste.
A confusão entre governo e poder, entre partido e Estado acabou arruinando uma experiência, finalmente, dinamitada pela corrupção.

Uma esquerda no governo não poderia comprometer-se a fundo com Cuba e Venezuela. Ainda que admirasse os dois modelos, o que é um alto grau de miopia, deveria levar em conta uma posição nacional.

Uma esquerda no governo deveria abster-se de levar o capitalismo a um outro sistema, mas, sim, tirar o melhor proveito de suas potencialidades e reduzir seus impactos negativos. O capitalismo pode alcançar altos níveis de inovação e criatividade, como nos Estados Unidos, ou mesmo uma respeitável rede de proteção, como na Escandinávia.

Não vejo como transitar do capitalismo para outro sistema econômico, exceto através da decadência e destruição de seus alicerces. E isso nem na Venezuela vai acontecer. O sonho bolivariano encarnou num homem que esmaga os opositores e conversa com passarinhos. Quando vão despertar? Quando 
encontrarem Nicolás Maduro cantando salsas e merengues nas pizzarias do seu bairro?

Bye Bye Dilma não é apenas o acordar de um sonho eleitoral. E um sono de 12 anos – de pouco mais de 25 anos se contarmos da queda do Muro de Berlim. O projeto não se perdeu apenas pela questão ética. Seus passos estão intensamente discutidos no escândalo do petrolão e outros que se espalham como tanques em chamas.

Mas os fins, quais eram mesmo os fins? Para onde é que nos levavam?

Dentro do País vivemos a crise do populismo econômico. Lá fora, nossa importância diplomática foi 
dramaticamente reduzida.

Não dói somente ver Dilma e o PT se comportarem como se nada de errado tivesse acontecido. Dói também ver a perspectiva de um grande esforço fiscal desaguar numa visão de crescimento de novo insustentável, tanto econômica como ambientalmente.

A Califórnia passou por mil desafios, abrigou a indústria de cinema e da informática, e agora se vê diante da necessidade de se reinventar. E muitos perguntam se conseguirá, como das outras vezes. A crise hídrica é grave por lá. No Brasil nem sequer nos colocamos a ideia de uma primeira reinvenção. E a crise hídrica é grave por aqui.

Toda vez que falam “vamos fazer o ajuste fiscal, voltar a crescer”, tenho um calafrio. De novo, um voo de galinha na economia e na política?

Seria necessário rever o caminho. A visão puramente eleitoral é sempre punida pelas leis do capitalismo. Não há espaço para uma esquerda monocrática que confunde suas ideias com o interesse nacional, que julga aproximar-se do socialismo, mas avança para o colapso econômico.

Vamo que vamo! Domingão é dia de protesto! Fora Dilma! Fora PT! Abaixo a corrupção!